21 de mai de 2014

A sala é o novo quintal

Colchão na sala: a receita do sucesso

Hoje, por motivos de força maior, Nanda não foi pra escola. Isso tem se repetido com mais frequência do que eu gostaria - a cidade anda meio caótica - e tira a rotina do eixo, já que aproveito o horário dela na escola pra adiantar trabalhos do blog, da casa, enfim. Então o quadro é o seguinte: duas crianças cheias de energia dentro de um apartamento. Ou seja, a receita do caos. Daniel está naquela fase adorável #sqn de subir em tudo que vê pela frente e, obviamente, cair bastante, fora toda a sua habilidade pra descobrir portas de banheiro abertas, ocasião perfeita pra exercer seu fascínio por tomar banho com a  água da privada. Pra quê chuveiro, né minha gente? E pra quê comida também, se as pedrinhas da planta da sala são tão mais gostosas? #ficaareflexão

Eu sei que amor de irmão é uma coisa linda, mas digamos que 90% do tempo em que eles estão juntos seja de muitos "largue o cabelo da sua irmã", "devolva o brinquedo do seu irmão", "aprenda a dividir", "não rasgue a tarefa da sua irmã", "não bata nele/a" e coisas do tipo. De modos que eu realmente não consigo fazer muita coisa a não ser garantir que eles cheguem ao final do dia vivos, alimentados, limpos e sem nenhuma mordida ou coisa parecida.

(Pausa pra ver Nanda tentar pular corda sozinha) 

É claro que eu já passei por todos os estágios que uma pessoa pode ficar em uma situação dessas: irritação, angústia, vontade de comer chocolate, desespero, apatia, vontade de comer chocolate, conformação e vontade de comer chocolate. Mas acabei percebendo que o que realmente me deixava ansiosa era tentar deixar tudo em ordem primeiro pra depois ficar com eles e dar a atenção que eles necessitam. 

(Pausa pra trocar uma fralda de cocô)

Onde eu estava mesmo? Ah sim. Então que dia desses resolvi que isso não estava sendo uma atitude muito inteligente e entendi também que essa minha ansiedade acabava startando um ciclo: eu não dava atenção pra poder terminar minhas tarefas - eles faziam coisas irritantes pra chamar atenção - eu me irritava - eles também ficavam irritados - eu ficava ansiosa por não conseguir terminar o que tinha começado a fazer - eles faziam mais coisas irritantes pra chamar atenção e... Você imagina o resultado disso tudo. 

O que me intriga é que conheço mães que tem muito mais filhos do que eu, e que não me parecem viver nesse estado eterno de irritação, sabe? Fico com aquela sensação de que existe um jeito de levar uma rotina com crianças de uma forma mais leve, mais tranquila, e eu que não estou enxergando como fazer isso.

Dia desses num lampejo de sanidade coloquei uma bacia com água na varanda - bem pouca, nenhum risco de afogamento, pfv - e de repente parecia não ter crianças nessa casa, a não ser pelas gargalhadas que ouvia enquanto lavava a louça. Meus filhos estavam brincando felizes, totalmente compenetrados na tarefa de tirar a água da bacia e colocar no balde. Durou 40 minutos, o suficiente pra eu conseguir fazer bastante coisa. E uma atividade tão simples como essa me devolveu filhos calmos, relaxados, e o dia seguiu agitado, sim, mas vi que na verdade, meus filhos só querem ser crianças. 

Não é fácil ser uma criança sem quintal. Sem pracinha, nem rua pra correr sem medo. Não é fácil ser criança num mundo pedófilo, onde nós desconfiamos de tudo e de todos - uma simples visita à casa de um amiguinho da vizinhança já é suficiente motivo de preocupação. Não é fácil pra crianças e nem pra adultos viver nessa cultura do medo e da insegurança. O que nos resta é tentar garantir meios que proporcionem aos nossos filhos uma infância digna. 

Então por hoje decidi que os afazeres vão esperar. Hoje vou tratar meus filhos como as crianças cheias de energia que eles são e não como um empecilho na minha agenda. Não é difícil entretê-los, na verdade é muito fácil. Tudo vira brinquedo pra eles, né? E quando a hora do cochilo ou do desenho acalmar os ânimos - santo Netflix - eu dou conta do que precisa ser feito. Vou poder fazer isso sempre? Não. Mas só por hoje, decidi romper o ciclo da mãe estressada. E de repente a bagunça da sala já não me irrita tanto. Afinal, a sala é o novo quintal. 

22 comentários:

  1. Nossa Ju... Nem filhos eu tenho (ainda!) e total me identifico com suas angústias maternas.
    Essa lição de "a sala é o novo quintal" está agora anotadinha na minha agenda.
    Com certeza a ansiedade é uma atrapalhador de vidas! rs
    Boa sorte com os seus pequenos lindos!
    Minhas mais doces lembranças da infância são exatamente esses momentos em que minha mãe largava tudo e sentava no chão para brincar comigo e com os meus irmãos.
    E sei de cor as músicas que ela cantava para eu dormir.
    Creio que vc está no caminho certo.
    Não se culpe! Vc será sempre a heroína deles <3

    bjus,

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    1. Que linda a lembrança da sua mãe =)

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  2. Juliana, eu me vi neste seu post. Com duas crianças pequenas (05 e 02 anos) as vezes me sinto a pior das mães.
    Querendo sempre acertar em tudo e não conseguindo ser mãe, esposa e profissional mais perfeita :(

    Mas sigamos em frente dedicando apenas dias integrais dos nossos dias :)

    Adorei o conselho. Obrigada, Querida

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  3. Ju, fiquei com a maior dó porque pra mim que acompanho o blog e o insta você é uma super mãe; tenho certeza que é um fato.
    Essa angústia me parece de todos, você com os meninos, fulano com o chefe, beltrano com as provas. Eu, inclusive, com a Paladar.
    Minha infância teve uma parte com quintal e outra sem, mas a vida era outra; a babá ficava com a gente e brincava e fazia bolinho de chuva (outra ótima forma de distração, fica a dica). Meu afilhado tem 3 anos e é a mesma agonia, ele quer virar o apartamento porque não tem a liberdade.
    Acho que a sua ideia é o caminho, relaxar, acalmar, a vida não vai acabar agora, não precisamos ser perfeitos, sempre pode-se deixar algo para depois.
    Boa sorte e fica tranquila, tenho ctz que são duas crianças felizes e serão adultos agradecidos.

    Bjos

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  4. Mais uma vez suas palavras vem na hora certa para mim, tenho apenas uma filha de 2 anos e ela pede atenção o tempo todo, e eu ficava nessa noia de casa arrumada e ficava estressada quando as coisa fugiam do meu controle e isso sempre ocorria e eu ficava sempre com os cabelos em pé e a unica coisa que ela quer é ser criança, quando não vai a creche, tendo almoço pranto o resto deixo para depois, me policio sempre para tentar ser a mãe protetora, a mãe que brinca com ela, a mãe que cuida e quando dar a hora da fominha, tem comida pronta, quero que ela tenha uma linda infância e que se lembre que ela tem uma super mãe. Obrigada mais uma vez por compartilhar sua vivência com seus pimpolhos, um super beijo e vai dar tudo certo.

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    1. Também acho, Cris, comida feita, o resto espera =)

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  5. Querida, tenho 03 filhos: 1 com 07 anos, 01 com 04 anos e a mais nova com 01 ano e 09 meses! Eu cheguei à conclusão de que não sou perfeita e os momentos de irritação é normal! tanto da minha parte quanto da deles!! Vivemos num ambiente de constante desconfiança!! As crianças serão crianças, como nós fomos um dia! E precisam extravasar suas energias! Precisamos encontrar meios para tal!

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    1. Sábias palavras Rosa, obrigada pelo conselho de #maedetres =)

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  6. Cabaninha, aqui em casa, sempre foi uma tradição e solução. Babunça, depois se arruma.

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    1. Nem lembro mais como era minha sala sem cabana =)

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  7. Texto muito lindo e reflexivo. Ainda não tenho filhos mas eh por relatos como o seu que sei que apesar de todo trabalho o amor compensa sempre tudo. Em cada palavra a gente pode enxergar a mae amorosa e aflita que vc eh está. Beijos

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  8. Que lindoooooo... você é uma super mãe....

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  9. Lindo, lindo, lindo!!! Tenho dois também (por enquanto!) um menino de 5 e uma fofinha que faz 3 em julho... e sempre quis escrever alguma coisa exatamente como você colocou, só que você escreveu e descreveu muuuuuuito melhor! Parabéns!
    um beijo
    Raquel

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    1. A gente se entende né Raquel =)

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  10. Me diverti muito com seu texto!

    É isso ai, menos stress, menos mimimi e muito riso!!!

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  11. Olá Ju!

    Jà faz um bom tempo que acompanho seu blog, mas ainda não havia comentado! Parabéns pelo trabalho!!! Procuro acompanhar semanalmente, pelo menos, porque sei que sempre tem novidades!!!
    Bom, hoje passei para dizer que passo o mesmo quase todos os dias, mas em meu trabalho rsrsrs! Não tenho filhos, mas trabalho com educação infantil, e digo, é fantástico e ao mesmo tempo uma loucura!!! Temos que pensar em possibilidades o tempo todo, já que o foco deles acaba muito rápido.
    Se for interessante para você segue algumas alternativas minhas e um site que achei com ideias super legais e baratas!

    - Bolinhas de sabão (Bebês adoram!);
    - Brinquedos como blocos de montar (tipo pequeno engenheiro em tamanho maior e almofadado);
    - Livros de tecido com sons e texturas;
    - Garrafas pet pequenas cheias com grãos ou com água e anilina comestível e bem vedadas (dependendo da cor, dá para colocar glíter dentro que fica bem chamativo);
    - Caixa (eles adoram!).

    http://www.buzzfeed.com/mikespohr/33-atividades-abaixo-de-u10-que-manterao-seus-fil

    Bom, acho que é isso!

    Beijinhos e ótimo fim de semana!!!

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    1. Obrigada Marisa, adoreiiiiii :*

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  12. Né? Sempre correndo e com aquela sensação de que deixou por fazer mais do que fez, kkkkk

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Esta e outras receitas você encontra no www.pitadinha.com

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