8 de dez de 2010

Sobre minha mãe e o "ser mãe"


























Todos dormem e eu aqui. É que quando a casa está em silêncio meus pensamentos ficam muito barulhentos. Então corro pra escrever, antes que caiam no esquecimento.

Minha mãe chegou, veio passar quinze dias aqui conosco. E tê-la aqui comigo é mais do que simplesmente encontrá-la, colocar a conversa em dia, matar saudade do "cupuaçu de verdade", ouvir aquele sotaque familiar... É muito mais do que isso.

Cada vez que minha mãe vem é um pouco de alívio que ela traz. É quase uma terapia. Com ela eu divido minhas panelas de uma forma tão gostosa, tão generosa. Ela me ajuda a me entender melhor e resolver meus conflitos, sem precisar dizer uma palavra. Quando ela chega, parece que a Fernanda convive com ela todos os dias, mesmo ficando meses longe (dessa vez foram seis). Fora que é tão bom ter alguém em casa de quem você não precisa esconder a bagunça... e isso eu só tenho com a minha mãe.

E sabe o que eu acho mais engraçado? A vida inteira sempre acreditei que quando eu fosse mãe, ela seria aquela pessoa que ficaria me corrigindo, me mostrando como e o quê eu fazia de errado. E no entanto, ela é a única pessoa que me faz crer que sim, eu sou uma boa mãe. Parece besteira, mas não é não. Tenha um filho e espere pra ver a a quantidade de pessoas que vão querer te provar que a forma como você cuida dele está errada. Até mesmo as que nunca tiveram filhos se sentem qualificadas a criticar sua forma de cuidar do seu/sua bebê. Até um estranho na rua. Não questiono a intenção, que acredito ser sempre a melhor possível. Mas a verdade é que é tanto e toda hora que enche o saco. Por isso mesmo, escutar daquela que te carregou nos braços que você dá conta do recado, não tem preço. E essa força que ela me dá só me faz querer ser cada dia uma mãe melhor. Se você ainda não teve filhos, um dia vai saber do que eu estou falando.

Ser mãe muda muita coisa na vida da gente. Mudam as prioridades. Se antes você queria ser magra e bonita, agora se você estiver sem olheiras já é lucro. Se antes você dava o maior valor pra ir ao cinema, pegar uma praia, agora qualquer noite de sono sem interrupções te faz sentir uma rainha. Em vez de pensar em comprar uma câmera fotográfica novinha e profissa, você opta por colocar a grade de proteção nas janelas. Enfim, todas aquelas coisas sem as quais você não viveria sem, agora são tão menores, tão pequenas... Pois foram diminuídas pelo amor gigante e incondicional por aquele toquinho de gente que chegou pra mostrar o que realmente importa nessa vida.

Hoje não penso que "larguei" meu emprego pra ser mãe. Hoje eu tenho o melhor, mais difícil, mas também mais prazeroso emprego do mundo. Por que ver minha filha com esse sorriso banguelo conquistando cada dia mais segurança, com seu olhar curioso e atento tentando imitar o que eu falo, fazendo cara feia pra comida, desligando a TV na hora da notícia que eu não queria perder, tomando mamadeira sozinha, pegando no sono sem precisar de nenhum embalo... viver isso integralmente tem um valor imensurável. E como agradeço a Deus e ao meu marido, por me proporcionarem vivenciar essa experiência.

Pra vocês verem, comecei falando da minha mãe, mas acabei falando mais de mim.
Mas é que a maternidade que me faz ver minha mãe como a super-mãe que ela sempre foi, mas que eu nunca enxerguei.
Aí também me envergonho mais ainda das minhas malcriações, das incompreensões, das reclamações...
Mas ela é mãe, e mãe ama sempre. Hoje eu sei disso, como sei...

A foto lá em cima é de um "ovo frito de amor", como diz a Ângela, que foi quem me deu a fôrminha de presente =)

19 comentários:

  1. Ah, que texto lindo Ju :)
    Eu não sou mãe, e nem sei se pretendo ser.
    Mas eu visualizo tudo isso que você falou.
    Porque um dia minha mãe me disse que os papéis iam se inverter, e que eu cuidaria dela e ela seria a filha. E quando eu fui tomar sopa enquanto esperava ela me ligar para pegá-la numa festa, e dirigir pra ela até em casa, eu percebi que esses papéis já começaram a se inverter :P
    E é aí que eu admiro ainda mais a minha mãe, e a mãezona que ela foi. E também me invergonho das minhas reclamações, palavras rudes e tudo aquilo. Mas mãe é mãe né, e mãe entende.

    Um beijão pra mamãe Ju e para a mamãe da mamãe Ju, que criou a filha sem frescura. E quem no fim das contas saiu ganhando foi a Fernanda. Que tem duas mães tão boas :)

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  2. Grace Recife/PE09/12/10 00:28

    Ai que linduuuu!
    Você tem TODA a razão, e olha que nem tive filhos ainda...só casei e sai da cidade natal.
    Hoje dou muito mais valor aqueles cuidadinhos minimos que ela tinha comigo e hoje sinto tanta falta no meu dia a dia.
    beijos querida!

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  3. Ai Ju, que textinho mais fofo <3 <3
    Sei bem o que você está falando. É isso mesmo! Difícil uma mãe não se reconhecer nestas suas palavras. Deu até vontade de ligar p/ minha mãe... E mostrar pras minhas filhas tb! Sempre me pergunto como duas coisas tão lindas e maravilhosas podem me deixar tão louca!?!? Mas e a vida teria graça sem elas? Não teria.

    Bjo grande e aproveita a mamãe aí!
    Dani

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  4. Mãe é tudo de bom né. Ô saudade da minha!

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  5. Ju, que sensibilidade para escrever este texto. Você consegue expressar os sentimentos de uma forma tão clara e faz a gente se identificar na hora. Eu tb sou mãe (tenho 3 filhos maravilhosos) e tb deixei o emprego para cuidar e estar com eles. Não me arrependo, embora as vezes dê aquela vontadinha de fugir de tudo (quando as coisas estão brabas), mas hoje sei que sempre dei o melhor de mim para eles e vejo que eles estão se tranformando em grandes pessoas.
    Parabéns pelo seu texto maravilhoso e continue com essa sensibilidade transbordando em todas as áreas da sua vida.

    Beijo

    Eliane (Leituras de Eliane)

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  6. Ju!

    Você me deixou em lágrimas.
    Não tenho filhos ainda porém, tenho a distância dos familiares como você tem.

    Tive o prazer de ter minha mãe e meu irmão na minha formatura de contador de histórias. Para alguns, é trabalho para desocupado. Não para mim nem para eles que vieram de longe.

    Lindas palavras! Emoção verdadeira e única!

    Beijos felizes por ti.
    Paparica sua mãe! Eu já já irei paparicar a minha novamente!

    Elaine Cunha

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  7. Que lindo as suas palavras querida, eu ainda estou no impasse ser mãe ou não hahaha
    Bjss querida
    Nana
    www.mangacompimenta.com

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  8. Juliana, seu texto me emocionou e me lembrei muito da minha mãe e de nosso relacionamento passado e atual.
    Sei que nem sempre foi a filha que gostaria de ser, mas com certeza a amo e me esforço para demonstrar sempre!

    P.S.: Amei a forminha para ovo frito!

    Bjs!

    Silvia Azevedo

    http://umapitadadecadacoisa.blogspot.com

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  9. Ai Jú...vc, como sempre, com seus textos profundos!!!
    Eu fiquei muito emocionada agora, pq tb estou longe da minha mãe...e ela vai chegar pra passar 15 dias comigo, essa semana! Tô super ansiosa, como não pensei que ficaria, quando mudei de cidade...eu sabia sim, que sentiria muita saudade, mas hoje eu me pego chorando, simplesmente pq lembro dela e de todo cuidado que eu também não enxergava...
    ainda não sou mãe...mas juro q me deu vontade de ser!
    O texto é lindo! Sou sua fã!!!!!
    Bjosss
    Amanda

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  10. Lindo texto, me fez pensar na minha relação com a minha mãe e na minha futura relação com meu (futuro) bebê!
    bjo

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  11. Chorei!
    Ser mãe traz a compreensão de tanta coisa.
    É um mundo novo que se abre à sua frente e um novo olhar sobre tudo que passou.
    Eu amo!

    Beijos,

    Aline.

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  12. Anna, e não é que inverte mesmo... E ainda bem que é assim, senão nunca poderíamos agradecer tanto por tudo que elas são e fazem na nossa vida né. E sim, minha mãe me criou sem frescura, e pretendo criar a Fernanda assim também, pois sei o quanto isso me ajudou nessa vida =)

    Grace, mas sair de perto faz mesmo isso com a gente. Mostra coisas que perto jamais veríamos. Por isso quando podemos estar perto de novo é tão gostoso, por mais rápido que seja. Bjus!

    Dani, liga pra ela! E mostra pras tuas filhas também! Eu adoraria que alguém tivesse me dito essas coisas antes de eu ficar longe da minha =) E pode deixar que vou aproveitar muiiiito.

    Daiene: então... saudade dói.

    Ow, Eli... vc é uma fofa! E sim, tem dias que da vontade de sair correndo, kkk, mas são só momentos, depois passa né! Bjus e obrigada pelas palavras =*

    Elaine, contar histórias não é pra qualquer um. O contador de histórias é um grande mágico, que leva as crianças pra dentro do livro sem que elas percebam. Se no Brasil tivéssemos mais contadores de histórias, talvez a história do nosso país seria outra, e não essa com um quadro de analfabetismo funcional tão vergonhoso.

    Obrigada pelas lindas palavras. Bjus!

    Nana, se vc vai ser mãe ou não, ainda não sabemos. Mas caso resolva ser, pense numa criança abençoada com uma mãe cozinheira de mão cheia dessa? Bjusss

    Silvia: não são só as mães que carregam suas culpas, os filhos também né? Mas somos todos imperfeitos e ignorar isso é carregar um fardo pesado demais. Se perdoe pelo que passou e valorize o tempo que ainda tem pra mostrar a ela o quanto vc a ama! Bjus!

    Amanda, ser mãe é maravilhoso, você vai ver.
    Aproveita sua mãe bem muito que 15 dias passam voando =) Entendo tudo o que vc disse, lindona, e obrigada pelas palavras!

    Duda, vc vai ser mamãe? Já está grávida? Bem isso não importa, que bom que gostou do texto, e que bom que fez vc pensar em tudo isso.

    Aline: vc disse tudo. E não tem como a gente ver tudo isso antes né? Às vezes sinto como se minha vida tivesse começado agora. A vida de verdade.

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  13. Ser mãe é a melhor coisa que pode existir no mundo. E é bem assim mesmo, só depois que a gente é mãe é que é possível ver a coisa por outros ângulos.

    Meu filho me aproximou muito da minha mãe, além de ser a razão do meu sorriso todos os dias, por mais que o cansaço bata, que a frustração com outras coisas acabe surgindo.

    Bom que você pode ficar com a Fernanda. Sinto falta de ter essa disponibilidade, mas o que importa é que quando estamos juntos, estamos juntos :)

    bjo

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  14. Fernanda, filho é uma bênçao de Deus em todos os sentidos né? E sim, o importante é fazer aquilo que é possível e com todo o amor do mundo. Bj!

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  15. Ser mãe é tudo isso mesmo!!! Nossa me emocionei! Lindo texto! Beijos

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  16. Maravilhoso o texto!
    Tenho um bebê banguelo também e mãe é tudo isso em nossas vidas!
    Parabéns!!!

    http://www.minaelena.blogspot.com/

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  17. Conheci seu blog hoje e estou passando um bom tempo (nos dois sentidos por favor) espiando sua vida da janela. Suas receitas já foram lidas, sua filha muito admirada (só perde pra minha!kkk) e seu texto me deixou muito emocionada. Também larguei "de um tudo" pra ter e criar minha filha, hoje com 7 anos, e valeu cada segundo. Boa sorte pra vcs, tudo de tudo de bom. Bjs Lili

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  18. Angela Schiavon22/03/12 17:26

    Lindo, lindo... muito lindo e gostoso. Me emocionou , fui às lágrimas e morri de saudade da minha que já se foi. Sinto tanta , mas tanta falta dela e acho lindo encontrar pessoas que dão a elas, a importancia que elas merecem.
    Nesta vida, tenho poucas certezas, mas uma , pra mim é indiscutível: Mãe é a melhor coisa do mundo. Em todos os sentidos.

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  19. Ju (olha só a intimidade)... aqui estou eu lendo seus posts, de uma janelinha no seu post de hoje 20/08/13, cheguei aqui e mais uma vez me emocionei.
    Estou grávida de quase 2 meses e fico imaginando tanta coisa, como gostaria que minha mãe ainda estivesse entre nós para compartilhar este momento.
    Beijos.
    PS. Amo o Pitadinha.

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Esta e outras receitas você encontra no www.pitadinha.com

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